Primeiro apartamento: dicas para acertar no planejamento, nas escolhas e no estilo -

Primeiro apartamento: dicas para acertar no planejamento, nas escolhas e no estilo

Neste apartamento de 100m² onde hoje mora um jovem casal, o foco do projeto foi a valorização da área social. Com isso, a integração da cozinha, sala de estar e varanda foi o fio condutor das soluções para a arquitetura de interiores promovida pela dupla da Mirá Arquitetura | Foto: Nathalie Artaxo

Com a chegada da vida adulta, o desejo de ter o próprio lar é um fato: ele se torna um objetivo a ser alcançado. Planejar o primeiro apartamento alinhado com o estilo e as necessidades de jovens moradores, seja de uma pessoa solteira ou um casal que planeja iniciar a jornada a dois, é uma empreitada e tanto. Por um lado, prazerosa, mas por outro, repleta de desafios por conta das inúmeras decisões e do orçamento, que muitas vezes é bastante apertado.

Mas como definir a melhor arquitetura de interiores, escolher tudo o que é necessário e, ao final, deixar o primeiro apartamento com o jeitinho tão esperado? As arquitetas e sócias da Mirá Arquitetura, Fernanda Hardt e Juliana Rinaldi, são unânimes em afirmar a importância de ter, ao lado, a experiência de profissionais especializados desde o início do sonho, seguindo pelo planejamento da obra, execução e a entrega.

Neste apartamento de 100m² onde hoje mora um jovem casal, o foco do projeto foi a valorização da área social. Com isso, a integração da cozinha, sala de estar e varanda foi o fio condutor das soluções para a arquitetura de interiores promovida pela dupla da Mirá Arquitetura | Foto: Nathalie Artaxo
Neste apartamento de 100m² onde hoje mora um jovem casal, o foco do projeto foi a valorização da área social. Com isso, a integração da cozinha, sala de estar e varanda foi o fio condutor das soluções para a arquitetura de interiores promovida pela dupla da Mirá Arquitetura | Foto: Nathalie Artaxo

Habituadas a realizar projetos para clientes que estão vivendo a fase do primeiro apartamento, elas reafirmam a importância de conceber um projeto que englobará o estilo e as soluções que responderão às necessidades para uma vida prática. Junto a isso, o planejamento meticulosamente idealizado para eliminar as famosas dores de cabeça com problemas na obra e no orçamento.

“Principalmente os mais jovens, sabemos como é complicado se familiarizar com o volume de decisões que envolvem uma reforma. Nosso trabalho é facilitar as escolhas, abrir possibilidades e resolver questões. Esse suporte é essencial”, enfatiza Juliana.


Em mais um projeto realizado por Fernanda e Juliana para um casal que adquiriu seu primeiro apartamento, a integração propiciou ganho de área. No que diz respeito ao estilo, as arquitetas trabalharam com a inspiração industrial, intercalando pontos que atenuaram a atmosfera de um projeto ‘frio’. Para tanto, aplicaram pitadas de tons claros e o terracota evidenciado no efeito do tijolinho aparente e nas almofadas | |Foto: Nathalie Artaxo

Orçamento

Com o projeto definido – sempre a partir dos desejos e as demandas compartilhadas pelos moradores no momento do briefing –, as arquitetas relatam que o próximo passo é articular a matemática financeira e a perspicácia de encontrar os melhores materiais, mobiliário e objetivos para comportar no budget indicado.

“O cuidado com o orçamento é um compromisso que assumimos com os clientes que cuidamos. Entretanto, sabemos que, com solteiros e casais mais jovens, esse deve ser um ponto de atenção ainda maior”, destaca Fernanda. Para tanto, ela e sua sócia, antes de assinar o contrato com seus clientes, assumem como premissa informar uma estimativa de valor por m², com base nas últimas obras realizadas pelo escritório. “Com isso, já é possível ter uma referência mais próxima da realidade”, acrescenta.

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As duas ainda frisam que é papel do profissional de arquitetura atuar para que o planejamento da reforma caiba no bolso dos proprietários e, ao mesmo tempo, não aconteça o sentimento de frustração pelo resultado ter sido ‘o que deu para fazer’, ao invés do almejado desde o começo. Além da cotação com fornecedores, sempre há a possibilidade de promover substituições que não mudam a essência. “Por exemplo, a atmosfera de piso de madeira, que pode onerar a verba, pode ser conquistada com um porcelanato com as mesmas referências, ou mesmo um vinílico. Sempre explicamos que há um meio de alcançar um denominador comum”, relaciona a dupla de arquitetas.

Além disso, as conversas com os clientes contribuem para compreenderem o que, de fato, os moradores precisam, pois muitas vezes trazem referências fora de seus contextos, como a morada na casa dos pais. “Os momentos são diferentes e as demandas do morar mudaram bastante”, enfatiza Fernanda.


Neste projeto, os proprietários de primeira viagem revelaram a necessidade de espaço de armazenamento. Aproveitando cada cantinho e sem sobrecarregar os ambientes, o móvel que faz as vezes de rack da TV, dispõe de um assento e também é um baú |Foto: Nathalie Artaxo

Prioridades na reforma

A escolha do primeiro apartamento pode influenciar bastante na hora da reforma. Dependendo do layout e das exigências dos proprietários, a prioridade é começar a obra pela parte pesada, como a troca do revestimento, passagem da infraestrutura do ar-condicionado, demolição e construção, iluminação, forro, marmoraria e a marcenaria principal, que compreende cozinha e dormitório.

As arquitetas ressaltam que, quanto maior o volume de demolição, maior será o tempo de reforma. Uma resolução ‘três em um’ indicada por elas é fazer boas escolhas nas opções de acabamentos disponibilizadas pelas construtoras. “Além de já atender o estilo do comprador, deixa de ser um gasto e um quebra-quebra depois da entrega das chaves”, aconselha Juliana.

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Para aqueles que estão com a verba mais que apertada, a recomendação é priorizar. Na lista dos gastos que podem ficar para depois, a marcenaria decorativa da sala, bem como alguns móveis, objetos decorativos e a máquina de ar-condicionado são alguns dos itens que podem ser retomados em uma segunda etapa. “Assim os moradores podem se capitalizar e retomar o fôlego das finanças para completar a casa”, orienta Fernanda.

Primeiro apartamento de solteiro x de casal

Dependendo do estado civil dos moradores, o estilo do apartamento e as necessidades podem mudar totalmente. Para um casal, ocasiões para a privacidade e dimensão dos cômodos precisam ser pensadas para o conforto dos dois e, em muitos casos, as arquitetas apontam que ambos precisam ser flexíveis nas tomadas de decisões que englobam o hoje e um futuro próximo. “Por exemplo, o segundo dormitório, que ficou o home office, mais para frente pode vir a se tornar o quarto do bebê”, diz Juliana. De olho na decoração, a base neutra da marcenaria e móveis de maior porte, como o sofá, permitem que acessórios como tapetes, poltronas, almofadas e quadros possam conter mais informações (e cores), que podem ser substituídas com mais facilidade.

Já no apartamento do solteiro, a atenção com a privacidade não é uma questão prioritária, uma vez que a morada será uma espécie de universo particular. Com isso, os ambientes tendem a ser mais abertos, formando a integração dos cômodos na área social e aumentando a amplitude – essencial para receber convidados. Outra diferença marcante está no décor, que pode ser mais ousado e fiel às preferências e o estilo do cliente.


Por ser um estúdio, nesse projeto Fernanda e Juliana promoveram grandes alterações. A maior delas foi levar a cozinha para a varanda e dispor dessa área para incluir um lavabo e um mini closet voltado para o quarto| Foto: Gabriela Batista

Decoração

Na empolgação de decorar o primeiro apartamento, os moradores podem cometer excessos tanto na parte visual, quanto na parte financeira. Fernanda e Juliana são enfáticas em considerar a filosofia do ‘menos é mais’ adotando estilos minimalistas que, mais adiante, ainda cooperam para que os residentes não enjoem facilmente da seleção. Quanto às cores, tudo vai depender da proposta que chega com o cliente. Todavia, a parcimônia da dupla indica a importância de evitar cores vibrantes logo no primeiro apartamento. “Salpicar os tons mais intensos, como em uma poltrona, traz um clima gostoso e um contraste agradável no ambiente. Outro caminho é a monocromia, que permite imprimir personalidade ao projeto”, sugerem.

Erros mais comuns

Segundo Fernanda e Juliana, a ausência de um estilo definido e o valor que poderá ser empregado na reforma são os erros mais recorrentes no processo. Normalmente, as arquitetas recebem os futuros moradores com muitas ideias, mas que muitas vezes, na prática, não se ‘dialogam’ para estarem agrupadas em um único projeto. Por isso, as conversas preliminares permitem que elas decidam o que realmente faz sentido para, em seguida, começar a jornada que criará ambientes práticos e harmônicos. Em relação ao orçamento, a falta de clareza do quanto será investido é sinônimo de problemas. “O período de projeto e reforma gera muita ansiedade e é comum que os clientes queiram atropelar fases, sem ter em mente o custo final” contam as arquitetas.

Na área social do apartamento, a marcenaria permitiu um melhor aproveitamento da planta com a otimização dos ambientes e soluções para o armazenamento. Com a versatilidade, as costas da cristaleira voltada para a cozinha se tornou o painel para a TV. A estante metálica promoveu a união com a sala de jantar com uma essência leve e orgânica |Foto: Nathalie Artaxo

Dicas

Obter o primeiro apartamento, ou a casa própria, é um investimento e um sonho para todos. Entretanto, antes de efetivar a compra, as arquitetas recomendam que os custos de uma reforma devem ser levados em consideração. “Empregar a verba completa no imóvel pode ser frustrante, pois além da decoração, melhorias que se adequarão ao modo de vida são sempre fundamentais. Nos casos de apatamentos comprados na planta, iniciar o projeto antes da entrega das chaves é uma antecipação acertada, pois podemos deixar tudo pronto para iniciar a obra logo que a construtora realizar a liberação”, concluem Fernanda e Juliana.

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